Search It – Objetos Ocultos
A generalidade dos jogos de objetos escondidos comete o mesmo erro: metem um relógio a correr no canto do ecrã e transformam a observação em corrida. O Search It não mete. A lista de objetos fica visível, a cena fica quieta, e o jogador demora o que tiver de demorar. Essa única decisão distingue-o de um género inteiro e é a razão pela qual esta análise é mais favorável do que eu esperava ao instalar a aplicação.



Veredicto rápido
O jogo de objetos escondidos que trata a observação como um prazer e não como um teste de reflexos. A direção artística é genuinamente boa. Falta-lhe rigor na tradução das listas de objetos.
Lista visível, ampliação livre, nenhum relógio
Os objetos a encontrar aparecem em texto numa faixa inferior que se pode percorrer. A cena amplia-se com dois dedos até ao detalhe e não há limite ao tempo de exploração.
Encontrar um objeto marca-o na lista e deixa uma pequena assinalação na cena, o que permite abandonar e retomar sem perder a conta do que já foi feito.
A faixa de objetos rouba menos ecrã do que parece
A lista ocupa cerca de um sexto da altura e pode ser recolhida com um toque, devolvendo a cena inteira. É um equilíbrio bem resolvido entre informação e imagem.
A ampliação mantém a posição ao alternar entre modos, detalhe pequeno que evita perder o sítio onde se estava a procurar.
Cenários pintados, não desenhados por computador
A direção artística aproxima-se da ilustração editorial: composições abstratas, paletas escolhidas, texturas de pincel. Há cenas que resistem a ser olhadas como um simples campo de procura.
É o melhor trabalho visual entre os jogos analisados neste site, e boa parte do prazer da aplicação vem daí e não da mecânica.
Cenários e um modo de mistério à parte
Além dos cenários avulsos, existe um modo com fio condutor investigativo, em que os objetos encontrados vão revelando uma pequena história.
A história é ligeira e não sustenta o jogo sozinha, mas dá variação suficiente para quebrar a monotonia de procurar cenário atrás de cenário.
Instalar primeiro, jogar depois
Os cenários vêm em pacotes que precisam de ser descarregados uma vez. Depois disso, tudo funciona sem rede.
Convém fazer esse descarregamento antes de uma viagem: sem ligação, os pacotes ainda não instalados ficam inacessíveis.
Nomes de objetos com traduções infelizes
Algumas entradas da lista usam designações pouco naturais em português de Portugal, e há casos em que o nome não corresponde bem ao que está desenhado. Num jogo cuja única pista é o nome, isso custa tempo e paciência.
É a falha mais evidente de uma aplicação que, no resto, está acima da média do género.
Para quem gosta de olhar devagar
Serve especialmente quem aprecia ilustração e não tem pressa. É um jogo para o sofá, não para a fila do supermercado.
Quem procura tensão ou pontuação não vai encontrar nada disso aqui — e é precisamente essa a intenção.
Pontos fortes
- Nenhum cronómetro em qualquer modo
- Direção artística acima da média do género
- Lista de objetos recolhível com um toque
- A ampliação mantém a posição ao trocar de modo
- Modo de mistério dá variação ao formato
Reservas
- Traduções de nomes de objetos pouco naturais
- Pacotes de cenários exigem descarregamento prévio
- Ritmo lento pode aborrecer quem procura ação
A ausência de relógio e a qualidade visual sustentam a nota; a tradução das listas é o que a impede de chegar aos nove. A escala é explicada na página como avaliamos os jogos e não se confunde com a classificação de 4,9 atribuída pelos utilizadores na Google Play.



